Acredita-se que a pré-disposição para a transsexualidade não poderá ser contrariada através de uma educação correspondente com o sexo visível, nem através de tratamentos psicológicos e psiquiátricos, apesar de, quando existe essa pré-disposição, os factores psicossociais poderem vir a ter um papel relevante no seu desenvolvimento.
É obrigatório ser-se maior de idade para entrar num programa de acompanhamento tendo em vista a mudança de sexo. Todo o processo, desde o acompanhamento psicológico às cirurgias, é comparticipado pela Segurança Social (SNS) ficando o paciente isento do pagamento de taxas moderadoras, exames ou cirurgias. O processo, o qual varia de caso para caso, dura em média 4 a 5 anos.
O primeiro passo é ir ao médico de família e expor o caso. Este deverá passar uma credencial e escrever um relatório a ser entregue num dos hospitais públicos do país que tem equipas especializadas em transsexualidade. Caso o médico de família não se mostrar compreensivo e colaborativo, podes dirigir-te ao centro de saúde da tua área e pedir que te atribuam um médico. Uma vez ultrapassada esta barreira, é necessário ir a um hospital e marcar uma consulta de triagem no serviço de sexologia. Pelo que se sabe, os hospitais que têm serviço de sexologia e acompanham transsexuais são:
- O Hospital Santa Maria (Lisboa)
- O Hospital Júlio de Matos (Lisboa)
- O Hospital de São João (Porto)
- O Hospital Magalhães de Lemos (Porto)
- O Hospital de Coimbra.
- O Hospital de Coimbra.
O processo hospitalar tendo em vista a correcção do sexo desenrola-se aproximadamente da seguinte forma:
-Acompanhamento psicológico
-Testes e exames psicológicos para traçar o perfil
-Exames clínicos
-“Avaliação independente” - Uma segunda avaliação do sujeito levada a cabo por uma equipa médica diferente , de um hospital também diferente, da quele que segue o processo desde o seu início.
-Acompanhamento psicológico
-Testes e exames psicológicos para traçar o perfil
-Exames clínicos
-“Avaliação independente” - Uma segunda avaliação do sujeito levada a cabo por uma equipa médica diferente , de um hospital também diferente, da quele que segue o processo desde o seu início.
Após a avaliação da primeira equipa médica e comprovada a doença em relatório, o doente é encaminhado para um endócrinologista. É feito exames e analises clínicas e o tratamento hormonal deverá ocorrer. Após receber o 2º relatório médico pela 2º equipa dependente, os 2 relatórios são apresentados à Ordem dos Médicos. A ordem irá reunir-se em reunião para análise dos relatórios para avaliar os mesmos e confirmar o diagnóstico de transsexualidade. Uma vez confirmado o diagnóstico, a equipa autorizará os processos cirúrgicos, que maioritáriamente são:
-Cirurgia de reconstrução do peito
-Cirurgia de correcção do sexo
-Cirurgia de reconstrução do peito
-Cirurgia de correcção do sexo
Em suma, Ou seja, o paciente procura ajuda num dos hospitais citados em cima e depois terá que fazer uma outra avaliação num outro hospital público ou privado diferente, que tenha serviço de sexologia. No meu caso iniciei minha avaliação psiquiatra e psicológica no Hospital Magalhães de Lemos (Porto) e a segunda avaliação nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Para iniciar o tratamento hormonal basta o relatório do primeiro hospital, mas para iniciar as cirurgias são necessários os dois relatórios e apresentados a Ordem para avaliação e autorização. A Ordem.M. reúne-se assim que o número de relatórios justificar.
Beijo,
DC*

2 comentários:
Por incrível que pareca, mas num motor de busca como o google existe apenas
1 pagina que explique passo a passo "como mudar de sexo em Portugal";
sendo este blogue o único.
Portanto este tema ainda permanece um forte tabu em Portugal e no mundo, o que é uma vergonha...
Parabéns à autora
concordo com o comentario anterior, este tipo de assunto á mesmo um tabu em portugal! Mas obrigado, por escrever este blog, ... ajudou-me ! ;)
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