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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais um desabafo: preconceito laboral 2


   Como todos sabem não tenho passado uma boa fase e ultimamente devido ao preconceito que eu afirmo existir no mercado de trabalho em relação a nós, seres humanos de carne e osso e claro, TRANSEXUAIS/TRAVESTIS. A batalha tem sido muito difícil por ser de caráter delicado e complicado. Nós transexuais/travestis na minha respetiva opinião somos PESSOAS, mais do que ninguém e face a outra pessoa neste planeta necessitamos de estudos e formação e porquê? Porque nós nascemos para ser igualdas, respeitadas, amadas e admiradas pela forma natural que a nossa verdadeira essência é. Necessitamos de ter estudos para sermos respeitadas e mostrar que não somos incultas nem burras e temos muitas ou mais capacidades do que outras pessoas. Por outro lado, necessitamos de estudos porque a vida exterior, vida social, vida politica, laboral e claro a familiar não é fácil para pessoas como nós. Nós sabemos das nossas necessidades/fragilidades e sabemos que necessitamos de recorrer quase sempre a procedimentos cirúrgicos que são bastante caros e ninguém nos ajuda em termos de qualidade e garantia. Por essa razão necessitamos de ter um bom posto profissional, ganhar um bom ordenado capaz de nos autossustentar e conseguirmos fazer as nossas tão sonhadas e desejadas cirurgias.
   Para isto tudo é necessário lutar e batalhar e como não sou rica, não quero 1 cêntimo dos meus pais e sou lutadora optei por estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Mas a vida não é assim tão fácil como parece, até quando existe pessoas que nos roubam tudo: felicidade, determinação, garra, poder e vontade de lutar e por fim nos querem ver no lixo. E é isso que estou a sofrer ultimamente. Como sabem eu decidi estudar e claro continuava a trabalhar. Eu trabalho atualmente numa multinacional francesa que tem renome a nível mundial e se insere no setor automóvel. Eu até à semana passada estava a trabalhar no 2º turno (das 14:30h até às 23:00h), e estudava ao mesmo tempo (das 8:30h até às 12:45). Mas às segundas-feiras e quintas-feiras eu necessitava de entrar no emprego às 17:00h porque tinha até as 15:15h aulas de apoio para fazer no final do ano letivo os exames nacionais (no brasil se chamam vestibular).
   Devido a esta situação ter que chegar um pouco mais tarde à segunda-feira e quinta-feira ao emprego devido às aulas de apoio, eu resolvi apresentar o “estatuto de trabalhador-estudante”, na empresa. Como está em decreto de lei e no diário da república, “todo o operador que trabalha mais de 38horas semanais, tem o direito a usufruir até 6h horas semanais para frequência de aulas, SEM PERDA DE RENUMERAMENTO. Até então eu apresentei o estatuto na segunda-feira, dia 08-10-2012 e no dia 10-10-2012 foi assinado e concebido pela diretora dos recursos humanos da empresa. No dia seguinte, 11-10-2012 meu supervisor veio à minha beira com um documento para eu assinar. Nesse documento fazia jus que teria de mudar de turno, para o 1º (das 6:00h até às 14:30h), e teria que me apresentar no novo horário laboral na segunda feira( 15-10-2012). Face a esta situação deprimente e lamentável eu recusei e expus os motivos:
1º Não tinha transporte para trabalhar no 1º turno. Eu trabalhava no 2ºe tinha autocarro de tarde e boleia à noite; 2º Eu estava abrangida por um estatuto que me dava o direito a estudar e a fábrica não podia mudar o horário laboral. Mas infelizmente existe exceções para eles negarem o estatuto, e elas são:
a) Quando a entidade patronal apresenta muitos trabalhadores estudantes, e desta forma encaminhando para o fraco desemprenho da fábrica;
b) Quando a entidade patronal não pode fornecer emprego no horário escolar.

   E foi nesta última alínea que eles se basearam. Eles refutaram o estatuto apresentado com a justificação que eu não tinha emprego no 2º turno e teria que obrigatoriamente mudar para o 1º.
Na sexta-feira, após chegar das aulas eu fui falar com a diretora dos recursos humanos e de seguida fui falar com o meu responsável. Quando eu tomei consciência que eles não iam ceder e me ajudar profissionalmente e pessoalmente, comecei a chorar, porque não queria perder os estudos e expus a minha situação e abri pormenores da minha vida pessoal. Mesmo assim eles foram rígidos, frios e teocráticos e não tiveram humildade, sentimentos nem um gesto de agradecimento pelos anos que já trabalho lá e pelo esforço que já contribuí pelo sucesso da empresa. Nesse dia, Sexta-feira, não estava em condições de trabalhar porque estava perdida, desorganizada e sem esperanças na minha vida. Senti que me tiraram uma vez mais o tapete debaixo dos meus pés e o tombo foi de tal forma que preferi ir embora para casa refletir e pensar na minha vida. 
   Eles a justificação que me deram foi que não tinham trabalho para mim no segundo turno, mas o que sinto realmente foi que eles foram preconceituosos e pelo facto de eu ter apresentado um estatuto que me oferecia regalias por direito. A empresa preferiu mudar-me de turno para eu perder tudo. Eu sei vivamente que eu tinha trabalho, porque para além de a fábrica estar a sofrer com a crise mundial e alguns projetos terem fechado no 2º turno, o meu posto ainda se mantém até hoje e ainda não fechou. Eu sinto que sofro de preconceito e injustiça, porque vários colegas de trabalho faltam ao emprego e eu que estudava e dormia 3 à 4 horas por dia nunca faltei nem nunca descumpri com a minha tarefa laboral.

   Voltando ao dia de sexta-feira e após sair do local de emprego, estava desprotegida e cheia de medos. No sábado de manha comecei a organizar minha vida e comprei um carro para ir trabalhar de manha, na segunda-feira pesquisando na net encontrei uma outra instituição de ensino, que tem o mesmo curso, mas neste caso de parte de tarde e efetuei a matrícula. As aulas começam às 14:10h, por isso mesmo hoje (16-10-2012), apresentei um novo estatuto trabalhador estudante, e se no anterior estatuto eu necessitava de chegar mais tarde ao emprego às segundas-feiras e quintas-feiras, usufruindo apenas as 5 horas por semana para frequência de aulas que tenho direito, agora com o novo estatuto vou necessitar de sair mais cedo às segundas-feiras, terças-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, usufruindo completamente as 6 horas semanais para frequência de aulas. Eles pensavam que eu ia desistir de estudar e iam arruinar minha vida, mas o tiro saiu pela culatra (expressão). 
   A partir de agora vou pensar em primeiro lugar em mim e vou colocar a minha formação em prioridade na minha vida. Eles agora são obrigados aceitar, porque a empresa não tem mais nenhum turno e eu sou a única pessoa a usufruir atualmente do estatuto trabalhador estudante, excluindo a possibilidade de refutação da alínea a) em cima referida. Amanha ou na quinta já terei a resposta por parte dos Recursos humanos. 

   Isto tudo serve e servirá como força para todas as pessoas e também como uma lição que tudo na vida se resolve (menos a morte), e com calma somos capazes de virar o jogo a nosso favor. Mas para tudo isto foi necessária muita luta e raciocínio.



Fica aqui o estatuto trabalhador-estudante para quem quiser ver na net: AQUI

Beijo,
Denise Cristina

5 comentários:

Anónimo disse...

Lamentável... Espero que tudo se resolva e que tenhas força para lutar.

Rodrigo.

Amizade disse...

mas que danada essa menina é! adorei a reviravolta!!!

Anónimo disse...

Arras0uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu 0rguIh0 de vc ,,

Anónimo disse...

OIIIIIII!
BRAVO!!! Denise, por isso te admiro,sabes usar a cachola (cérebro), além de corajosa e guerreira, meus sinceros votos de sucesso, bjs Rick.

Mário disse...

Fez-te bem pensar com calma...! Muito boa solução :)

Boa sorte