Como todos sabem não tenho
passado uma boa fase e ultimamente devido ao preconceito que eu afirmo existir
no mercado de trabalho em relação a nós, seres humanos de carne e osso e claro,
TRANSEXUAIS/TRAVESTIS. A batalha tem sido muito difícil por ser de caráter delicado e complicado. Nós transexuais/travestis na minha respetiva opinião
somos PESSOAS, mais do que ninguém e face a outra pessoa neste planeta
necessitamos de estudos e formação e porquê? Porque nós nascemos para ser igualdas,
respeitadas, amadas e admiradas pela forma natural que a nossa verdadeira essência
é. Necessitamos de ter estudos para sermos respeitadas e mostrar que não somos
incultas nem burras e temos muitas ou mais capacidades do que outras pessoas.
Por outro lado, necessitamos de estudos porque a vida exterior, vida social,
vida politica, laboral e claro a familiar não é fácil para pessoas como nós. Nós
sabemos das nossas necessidades/fragilidades e sabemos que necessitamos de
recorrer quase sempre a procedimentos cirúrgicos que são bastante caros e ninguém
nos ajuda em termos de qualidade e garantia. Por essa razão necessitamos de ter
um bom posto profissional, ganhar um bom ordenado capaz de nos autossustentar e
conseguirmos fazer as nossas tão sonhadas e desejadas cirurgias.
Para isto tudo é necessário lutar
e batalhar e como não sou rica, não quero 1 cêntimo dos meus pais e sou
lutadora optei por estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Mas a vida não é assim
tão fácil como parece, até quando existe pessoas que nos roubam tudo:
felicidade, determinação, garra, poder e vontade de lutar e por fim nos querem
ver no lixo. E é isso que estou a sofrer ultimamente. Como sabem eu decidi
estudar e claro continuava a trabalhar. Eu trabalho atualmente numa
multinacional francesa que tem renome a nível mundial e se insere no setor automóvel.
Eu até à semana passada estava a trabalhar no 2º turno (das 14:30h até às
23:00h), e estudava ao mesmo tempo (das 8:30h até às 12:45). Mas às
segundas-feiras e quintas-feiras eu necessitava de entrar no emprego às 17:00h
porque tinha até as 15:15h aulas de apoio para fazer no final do ano letivo os
exames nacionais (no brasil se chamam vestibular).
Devido a esta situação ter que
chegar um pouco mais tarde à segunda-feira e quinta-feira ao emprego devido às
aulas de apoio, eu resolvi apresentar o “estatuto de trabalhador-estudante”, na
empresa. Como está em decreto de lei e no diário da república, “todo o operador
que trabalha mais de 38horas semanais, tem o direito a usufruir até 6h horas
semanais para frequência de aulas, SEM PERDA DE RENUMERAMENTO. Até então eu
apresentei o estatuto na segunda-feira, dia 08-10-2012 e no dia 10-10-2012 foi
assinado e concebido pela diretora dos recursos humanos da empresa. No dia
seguinte, 11-10-2012 meu supervisor veio à minha beira com um documento para eu
assinar. Nesse documento fazia jus que teria de mudar de turno, para o 1º (das
6:00h até às 14:30h), e teria que me apresentar no novo horário laboral na segunda
feira( 15-10-2012). Face a esta situação deprimente e lamentável eu recusei e expus os motivos:
1º Não tinha transporte para trabalhar
no 1º turno. Eu trabalhava no 2ºe tinha autocarro de tarde e boleia à noite; 2º Eu estava abrangida por um
estatuto que me dava o direito a estudar e a fábrica não podia mudar o horário laboral.
Mas infelizmente existe exceções para eles negarem o estatuto, e elas são:
a) Quando a entidade patronal apresenta
muitos trabalhadores estudantes, e desta forma encaminhando para o fraco
desemprenho da fábrica;
b) Quando a entidade patronal
não pode fornecer emprego no horário escolar.
E foi nesta última alínea que
eles se basearam. Eles refutaram o estatuto apresentado com a justificação que
eu não tinha emprego no 2º turno e teria que obrigatoriamente mudar para o 1º.
Na sexta-feira, após chegar
das aulas eu fui falar com a diretora dos recursos humanos e de seguida fui
falar com o meu responsável. Quando eu tomei consciência que eles não iam ceder
e me ajudar profissionalmente e pessoalmente, comecei a chorar, porque não queria
perder os estudos e expus a minha situação e abri pormenores da minha vida
pessoal. Mesmo assim eles foram rígidos, frios e teocráticos e não tiveram humildade,
sentimentos nem um gesto de agradecimento pelos anos que já trabalho lá e pelo
esforço que já contribuí pelo sucesso da empresa. Nesse dia, Sexta-feira, não
estava em condições de trabalhar porque estava perdida, desorganizada e sem
esperanças na minha vida. Senti que me tiraram uma vez mais o tapete debaixo
dos meus pés e o tombo foi de tal forma que preferi ir embora para casa
refletir e pensar na minha vida.
Eles a justificação que me deram foi que não
tinham trabalho para mim no segundo turno, mas o que sinto realmente foi que
eles foram preconceituosos e pelo facto de eu ter apresentado um estatuto que
me oferecia regalias por direito. A empresa preferiu mudar-me de turno para eu
perder tudo. Eu sei vivamente que eu tinha trabalho, porque para além de a fábrica
estar a sofrer com a crise mundial e alguns projetos terem fechado no 2º turno,
o meu posto ainda se mantém até hoje e ainda não fechou. Eu sinto que sofro de
preconceito e injustiça, porque vários colegas de trabalho faltam ao emprego e
eu que estudava e dormia 3 à 4 horas por dia nunca faltei nem nunca descumpri
com a minha tarefa laboral.
Voltando ao dia de sexta-feira
e após sair do local de emprego, estava desprotegida e cheia de medos. No sábado
de manha comecei a organizar minha vida e comprei um carro para ir trabalhar de
manha, na segunda-feira pesquisando na net encontrei uma outra instituição de
ensino, que tem o mesmo curso, mas neste caso de parte de tarde e efetuei a matrícula.
As aulas começam às 14:10h, por isso mesmo hoje (16-10-2012), apresentei um novo
estatuto trabalhador estudante, e se no anterior estatuto eu necessitava de
chegar mais tarde ao emprego às segundas-feiras e quintas-feiras, usufruindo apenas
as 5 horas por semana para frequência de aulas que tenho direito, agora com o
novo estatuto vou necessitar de sair mais cedo às segundas-feiras, terças-feiras,
quartas-feiras e sextas-feiras, usufruindo completamente as 6 horas semanais
para frequência de aulas. Eles pensavam que eu ia desistir de estudar e iam
arruinar minha vida, mas o tiro saiu pela culatra (expressão).
A partir de
agora vou pensar em primeiro lugar em mim e vou colocar a minha formação em
prioridade na minha vida. Eles agora são obrigados aceitar, porque a empresa não
tem mais nenhum turno e eu sou a única pessoa a usufruir atualmente do estatuto
trabalhador estudante, excluindo a possibilidade de refutação da alínea a) em
cima referida. Amanha ou na quinta já terei a resposta por parte dos Recursos
humanos.
Isto tudo serve e servirá como força para todas as pessoas e também
como uma lição que tudo na vida se resolve (menos a morte), e com calma somos
capazes de virar o jogo a nosso favor. Mas para tudo isto foi necessária muita
luta e raciocínio.
Fica aqui o estatuto trabalhador-estudante para quem quiser ver na net: AQUI
Beijo,
Denise Cristina

5 comentários:
Lamentável... Espero que tudo se resolva e que tenhas força para lutar.
Rodrigo.
mas que danada essa menina é! adorei a reviravolta!!!
Arras0uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu 0rguIh0 de vc ,,
OIIIIIII!
BRAVO!!! Denise, por isso te admiro,sabes usar a cachola (cérebro), além de corajosa e guerreira, meus sinceros votos de sucesso, bjs Rick.
Fez-te bem pensar com calma...! Muito boa solução :)
Boa sorte
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