Se ouve fase repleta de mudanças, revoltas e falta de compreensão foi esta fase, compreendida entre os meus 6 anos até aos meus 17 anos. Foi uma fase bastante difícil de ultrapassar. Este período que irei abordar da minha vida foi uma etapa que vivi, certamente, o verdadeiro pudor da nossa sociedade anti-recíporca e cruel. A minha vida nesta época era caracterizada por falta de amor, preconceito, descriminação, foi, de facto uma fase que comecei a dar importância ao aspecto físico, houve, também, o individualismo, o isolamento, como também, um período caracterizado pelas primeiras paixões.
A partir da entrada para a escola tudo aparentava alguma normalidade. Era uma criança normal no que respeita às amizades, com a peculiaridade, de interagir com mais facilidade no grupo feminino. A partir dos meus 7 anos tive uma tendência que me levou a fazer xixi sentada. Eu sabia que as meninas o faziam e eu dessa forma também comecei a fazer.
Recentemente, eu li um artigo na internet que continha uma informação bastante curiosa e que me trouxe à tona uma lembrança do meu passado. Nessa informação abordava que os meninos com anseio de ser meninas fantasiavam e desejavam durante a sua infância o desejo de ser sereia. Eu ao ler esse artigo lembrei-me, de que, quando eu era criança, por volta dos meus 7/8 anos ter assistido a um filme na televisão (Splah – uma sereia em minha vida), e no final do filme eu só imaginava-me ser uma sereia igual à do filme. Lembro-me de pôr-me no chão e fantasiar que eu estava no oceano e brincava com o assunto. Agora pergunto-me, terá sido uma brincadeira tipicamente masculina? Recordo-me, também, de ter dito a minha mãe que quando fosse maior gostaria de ser sereia e minha mãe sorriu e disse-me que iria ser impossível porque as sereias eram seres imaginárias e não reais, existindo, apenas, na televisão. Apesar de a minha mãe ter dito isso, eu não desmotivei e criei essa ilusão. A partir daí, eu ganhei um grande apreço pelos assuntos que estivesses directamente interligados com sereias e comecei assistir a filmes e desenhos animados sobre sereias. Elas fascinavam-me, o poder de nadar e respirar debaixo de água, os cabelos ondulados loiros, a sua extrema beleza, as formas perfeitas do seu corpo e o seu movimento na água. É um ser irreal que me transmite grande feminilidade. Uma das coisas que também me fascina nestas espécies magicas, eram os seus acessórios, provenientes dos recursos marinhos e, claro, a sua enorme cauda de cores pitorescas e vibrantes. Lembro-me ainda, que mais tarde, por volta dos meus 9/10 anos, assistia diariamente no “canal panda” a uma série sobre uma bonita sereia e deslumbrante princesa do mar, uma sereia encantada.
Esta fase de encantamento pelas sereias perdura até hoje. Cresci e construi um núcleo de amizades, todas elas à volta das meninas. A vontade, nessa altura, de ser uma menina era tanta que por vezes era completamente posta à parte por todos e até por elas e chamada atenção por parte da professora, que dizia-me que as meninas tinham que ter a sua privacidade entre las, porque continham conversas e segredos que não gostavam de partilhar com os meninos, supostamente, eu. Essa advertência da professora deixou-me completamente triste, porque eu gostava delas e gostava de participar nas suas conversas e saber cada vez mais coisas que dissessem respeito a aspetos tipicamente femininos. Era no meio delas que eu conseguia sentir-me um pouco mais fora do meu corpo e esquecer minha vida e imaginar-me e sonhar como uma rapariga.
Mas por volta desta idade, eu comecei a sentir na pele o verdadeiro preconceito. Por volta dos 11 anos eu era completamente gozada, porque eu tinha um comportamento feminino, tanto na forma de falar e expressar-me, como também no meu andar. Eu considerava o meu pensar e o meu raciocínio tipicamente feminino, porque eu assemelhava-me mais a uma rapariga do que a um rapaz. Eu continha dentro de mim a vontade de ser uma rapariga e isso refletia-se nos meus comportamentos, ou seja, as boas maneiras que uma rapariga deveria de ter perante a sociedade, e o tipo de brincadeiras desse tempo. Recordo-me da febre dos temagotchis. Todas ou praticamente todas as meninas desta idade continham um temagotchi nas suas mãos às vezes eram mais do que eu. Estes engraçados e inteligentes brinquedos eram de vários feitios, formas e cores. As suas personagens também vestiam o papel de variadíssimas criaturas (galinhas, dinossauros, coelhos, cães, gatos, etc.).
Lembro-me da enorme birra e empenho que tive de fazer, para poder ser mais uma menina a conter um temagotchi nas minhas mãos. Ele era amarelo, e a personagem era uma galinha. Quando consegui o primeiro senti uma enorme alegria e a primeira coisa que fiz foi sair da casa da minha avó, e ir para a casa das minhas amigas da vizinhança e mostrar o meu brinquedo. Todos os dias levava-o dentro da minha mochila para a escola e atrevo-me á dizer, que fui a primeira menina “menino” a ter um temagotchi no meio dos rapazes, sim porque na altura eu não era vista nem considerada menina. O meu aspecto físico era de um rapaz, lamentavelmente, enfim. Apesar de tudo, eu conseguia sentir através do olhar, que alguns meninos lá no fundo do seu ser, também sentiam vontade de tocar, mexer, interagir com o brinquedo ou até mesmo, poder vir a ter um. Mas, a sua condição de rapaz, obrigava-o a limitar-se a olhar, porque se não era criticado e gozado, como eu fui. Sinto que a minha vontade feminina prevaleceu à masculina. Sinto-me feliz por pensar dessa forma.
Eu no recreio odiava quando assistia ou era surpreendentemente convidada a participar nos jogos masculinos dessa época. Os berlindes, os tazos, as brincadeiras que os meninos faziam, quando fingiam ser automóveis e faziam o som de um carro em andamento e tentavam atropelar “apanhar” os outros carros “meninos”, ou até mesmo, nas simples brincadeiras com os carrinhos por cima dos muros da escola. Cada menino até já tinha o seu próprio cantinho no muro. Foi um período, em que todos os meninos traziam das suas casas os seus carrinhos dentro das suas mochilas escolares para partilharem com outros rapazes. Eu não gostava deste tipo de brincadeiras e muitas vezes sentia-me isolada por não ser compreendida e não entender o que se estava a passar comigo. Assim era convidada pela parte feminina e juntava-me a elas nas suas brincadeiras muito mais interessantes e divertidas. As nossas brincadeiras incluíam o escorrega (no parque da escola), a macaca (quase sempre errava no número 6), elástico, caracol, etc..
Lembro-me que chegou a uma altura que era eu a trazer o meu próprio elástico, sentia-me um pouco útil e valorizada porque todas as meninas recorriam a mim nos intervalos. Nesta época, também costumava chegar a casa dos meus avós e colocava uma cadeira em cada ponta e estendia o elástico nas suas pernas, uma vez, que não tinha as minhas amigas por perto e teria de brincar sozinha.
Os anos correram e as mesmas tendências e a mesma forma de vida permaneceu. Foi uma época infantil, em que tudo que me diferenciava eram as brincadeiras, as amizades. Sim, confesso também, que algumas diferenças no meu aspecto físico agitavam-me. Foi uma época bem diferente da época dos meus 16 anos. Uma época em que a valorização do meu corpo e todas as alterações físicas falaram mais alto. Nesta idade, comecei a olhar para mim com outros olhos. Tudo em mim parecia estar tudo a correr fora do normal. Nesta altura, eu chorava regularmente, porque havia partes do meu corpo que eu recusava ver e uma delas e a mais importante, a que me inquietava mais era o meu órgão sexual. Em frente ao espelho ou, até mesmo no banheiro eu rejeitava ver o meu pénis e escondia-o entre as nádegas, para poder olhar por mim abaixo e não ver uma coisa que não estava ali a fazer nada. Só estava a meter nojo. Logo após esconder minha parte íntima, as minhas expressões faciais mudavam por completo, eu sentia-me mais feliz. Dessa forma conseguia sentir-me mais próxima do meu verdadeiro “eu”. Eu optei por esta atitude (esconder o meu órgão sexual) tudo por um propósito, para conseguir sentir-me mais feminina, sentir-me uma rapariga da minha idade. Sempre que eu escondia meu pénis por entre as nádegas eu fazia poses femininas para evidenciar as minhas pernas, as minhas nádegas, a minha anca e a minha silhueta. Juntamente com estas poses femininas eu agarrava os meus seios para poder sentir o seu tamanho e dar-lhes um aspecto mais grandioso. Até ao dia de hoje, estas tendências, já mencionadas (fazer xixi sentada e esconder o meu órgão sexual), ainda resistem e irão resistir porque é assim que eu me sinto minimamente bem. É desta forma que eu consigo identificar-me.
Um dos momentos que também recordo foi das tardes livres que tinha na escola, eu chegava a casa e a primeira coisa era despir-me e desprover-me de toda aquela roupa masculina horripilante e vestir a roupa da minha mãe, usar os seus acessórios e maquilhagem. Adorava ver-me vestida de mulher. Eu conseguia ver a mulher que existia dentro de mim. Os meus olhos reluziam de felicidade e de brilhos constantes, enquanto os meus pensamentos sonhavam alto. Esta tendência de usar as roupas da minha mãe permaneceu até aos dias de hoje. Hoje é o dia que não resisto e sou obrigada a vestir-me de mulher. É uma das muitas formas que eu encontrei para conseguir sorrir um pouco e esquecer os meus problemas.
Mais tarde, por volta dos meus 18 anos, comecei a olhar verdadeiramente para o meu aspecto físico e em frente ao espelho comecei a reparar no tamanho dos meus ombros, braços e cinta, e eu achava que eles estavam a tomar cada vez mais formas masculinas e estavam a desviar das formas que eu idealizava, que eram magras, delgadas e com curvas femininas. Tudo em mim parecia estar a correr por uma vertente que eu não tinha desejado, para mim mesma, parecia ter cada vez maisum corpo de rapaz. De facto, foi isso que me sucedeu e eu pensava todos os dias no que eu poderia fazer para tornar o meu corpo mais feminino, e como nesta altura ainda não tinha muitos conhecimentos a cerca dos hormónios existentes no mercado, nem ajuda psiquiatra, optei por deixar de comer aos poucos. Mas, a vontade de comer era tanta, porque durante toda a vida sempre tive uma “boca santa” eu não resistia e acabava por comer, e após ingerir os alimentos sentia um turbilhão de sentimentos (revolta, preocupação e arrependimento), por ter comido e acabava por ir vomitar tudo. Para eu conseguir levar esta atitude louca avante eu comecei a pesquisar sobre temas como magreza, anorexia, bulimia e até mesmo, encontrei sites ilegais que incentivavam as pessoas a ter estes comportamentos. Nesses sites havia listas com regras para as pessoas conseguirem perder peso. Também uma das atitudes que optei para conseguir ganhar força de vontade e emagrecer foi passar imagens de manequins anoréticas para o meu telemóvel e sempre que ia comer, bastava olhar e pensava “eu quero e tenho que ter um corpo destes”. Uma das grandes manequins, que me serviu de modelo foi a manequim inglesa Kate Moss. Ela era linda e o seu corpo era magro, com formas muito delgadas e perfeitas. Todos os dias, quando me levantava eu abria a porta do guarda-fatos e via-me ao espelho de cima abaixo, porque nessa altura as formas masculinas e a possibilidade de ter um corpo muito masculino preocupava-me e, sempre que me olhava, eu via um corpo cada vez mais magro. Tinha umas pernas magras, uns braços super finos e uns ombros com pouco volume. Sentia-me feliz por ter conseguido chegar àquele resultado, mas à medida que o tempo passava, eu não ficava satisfeita com o resultado e queria cada vez mais ficar magra. Foi no período que comecei a fumar, porque diziam-me que o tabaco cortava o apetite e a pessoa emagrecia. Esta loucura alargou-se durante 3 anos, até perceber que eu estava realmente doente e nessa altura eu pesava 42kg e sofria de bulimia nervosa. O que me levou a perceber essa realidade, foi o facto de algumas modelos terem perdido a vida devido a sua magreza extrema. A partir desse momento e sozinha consciencializei-me que deveria mudar de atitude e aos poucos deixei-me de preocupar pelo facto de estar a engordar e, assim, lentamente consegui superar o meu problema sozinha e adormecer a bulimia nervosa na minha vida.
Mais tarde, por volta dos meus 21 anos, comecei à procura de medicamentos que poderiam, de alguma forma, tornar o meu corpo mais feminino e encontrei listas de tratamentos hormonais para transexuais mtf, só que a mim aquelas listas não me diziam nada. Eu telefonava para as farmácias e perguntava se tinham o tal medicamento descrito na lista, mas as farmácias diziam-me que não tinham e, de facto, não tinham, porque aqueles sites eram brasileiros e logicamente que os medicamentos hormonais existentes nas listas de tratamento hormonal só havia nas farmácias brasileiras. Mas, após uma pesquisa exaustiva, encontrei um artigo que relatava, que as pílulas continham algumas hormonas femininas e que um medicamento designado “Finasterida”, também ajudava neste caso. A partir desse dia, fui à farmácia e adquiri as pílulas que a minha mãe sempre tomou “Marvelon” e uma caixa de Finasterida (1mg/dia). Hoje é o dia que tomo 3 pílulas marvelon por dia e uma drágea de Climen (são pílulas revestidas com valerato de estradiol e acetato de ciproterona). Sei que estou a errar, porque não estou medicada por um endocrinologista nem por nenhum médico, mas faço isto tudo em prol de poder ver algumas formas ou partes do meu corpo mais femininas. Eu vivo e tenho vergonha do meu corpo masculino 24 sob 24 horas. Devo e acho extremamente conveniente escrever nesta “história de vida”, que por volta dos meus 20 anos eu tentei o meu próprio suicídio com medicamentos esmagados. Estava disposta acabar com a minha vida e com todo o sofrimento que estava a viver. Um sofrimento que consome alma lentamente, porque eu sinto que estou presa num corpo que não é o meu. Um corpo que eu rejeito com todas as minhas forças e rejeito viver assim. Este meu corpo, não é a imagem que eu tenho na minha cabeça. Se eu não olhar para o espelho, eu acho e penso que tenho um corpo feminino e que a minha cara é de mulher, mas esse pensamento desfaz-se quando eu olho-me ao espelho e encaro a realidade. Eu não consigo identificar-me com a imagem que aparece no lado oposto. A minha imagem não corresponde ao meu verdadeiro género. Eu não consegui suicidar-me porque minha mãe não deixou-me cometer aquele acto.
Aos meus 21 anos, soube que poderia sofrer de transtorno de identidade de género, mas era algo que estava muito distante de mim. Eu soube deste problema através de um programa na televisão. Após ver o programa e o assunto que fora exposto, eu sorri porque finalmente consegui identificar-me na história da outra pessoa. Sorri porque, afinal eu não era homossexual, mas sim, uma mulher transexual. Mas, também soube que talvez fosse transexual, por parte de uma colega da minha mãe, que na altura eu trabalhava com ela, e disse-me que eu talvez devesse ser mulher, e eu não lhe respondei, porque as lágrimas tomou conta de mim naquele momento. Comecei a chorar porque era isso que eu sentia, uma mulher, aprisionada num corpo errado. Apenas queria-me libertar. Após ter visto aquele programa na televisão eu fiquei tão entusiasmada e motivada que, entrei em estado de ansiedade. Estava ansiosa que minha mãe chegasse do trabalho nesse dia para lhe contar o que tinha visto e o que realmente queria fazer – mudar de sexo. Mais uma vez, minha mãe ouviu da minha boca esta vontade e as suas palavras foram um pouco desmotivadoras, porque disse-me que eu não iria conseguir e questionou-me a probabilidade de ser gozada pela sociedade retrógrada. Mas a minha vontade e alegria era tanta nesse dia, que eu no dia a seguir telefonei para o departamento de psiquiatria do hospital Santa Maria para marcar uma consulta de sexologia com o psiquiatra Rui Vieira Xavier.
Naquele tempo tudo parecia estar a correr bem, e toda aquela vontade e esperança estava a falar mais alto. Marquei a consulta, cheguei a ir à primeira e inclusive, cheguei a fazer um cariótipo no mesmo centro hospitalar, no departamento de genética. Mas, depois acabei por desistir devido a distância e por causa da parte económica que envolvia consideráveis gastos.
Eu sempre soube que não era homossexual, porque até ao presente, nunca consegui ter uma relação homossexual. Sempre que envolvia-me com algum rapaz, eu sentia-me mulher, algo que uma pessoa homossexual não quer. Isto porque, se é homossexual é óbvio e tem lógica querer estar com um rapaz com aspecto e comportamento masculino e não feminino, como era o meu caso.
Vivi sem aquelas consultas durante um ano e meio até voltar a ver uma reportagem (metamorfose), na TVI, que relatava a vida de 4 transexuais, dois dos quais estavam a ser seguidos e tratados no hospital Magalhães de Lemos. Após ver aquela reportagem, o meu peito encheu-se de coragem e alegria para partir mais uma vez, ao encontro da minha felicidade e vontade. Eu gravei aquela reportagem e sempre que a revejo eu choro, porque todas aquelas pessoas têm uma história de vida semelhante, e até mesmo, com pontos iguais aos meus. Toda aquela reportagem tem algo de muito familiar. Aquela reportagem foi uma segunda porta a abrir-se para o meu problema e, no dia a seguir, eu fui à minha médica de família expor o meu problema e levantar uma credencial médica para poder marcar uma consulta de psiquiatria com a psiquiatra Zélia Figueiredo, que na primeira consulta, estava acompanhada por uma equipa médica, entre psiquiatras e psicólogos clínicos.
Hoje é o dia que ganhei novos hábitos tanto na minha maneira de estar como na minha maneira de interagir na sociedade. Estes novos hábitos passam por usar roupas apertadas para conseguir evidenciar algumas partes do meu corpo que até gosto de ver, e usar o telemóvel no bolso para poder dar mais volume à minha anca. No meu dia-a-dia, uso maquilhagem e recorro a este procedimento estético para camuflar alguns aspectos masculinos e dar uma aparência mais feminina ao meu corpo. Normalmente, costumo fazer pressão sob os dedos polegares para que as mãos fiquem mais pequenas e femininas. Também, juntamente com a maquilhagem, optei por pintar as minhas unhas. Eu cansei-me de esconder e não fazer as coisas que mais gosto, só por ter um corpo de homem. A sociedade terá de se habituar à minha aparência, porque eu já habituei-me a esta sociedade desproporcional há muito tempo. É desta forma que eu consigo encontrar-me um pouco e ser minimamente feliz. Eu sei que tenho partes do meu corpo que não são muito masculinas e isso reconforta-me e deixa-me um pouco aliviada e feliz.
Se eu tivesse um corpo, muito masculino, acho que já teria me atirado de alguma ponte. Às vezes não consigo dormir à noite por causa deste meu problema e choro por o meu corpo ser diferente do que queria que fosse. Sinto-me presa como se não houvesse saída. Quero muito ser mulher, e respeitada e olhada como tal. Nunca irei descansar até esta frustração abandonar-me e mostrar a mulher que eu sou e sinto.
A minha verdadeira identidade é DC* e é esta miúda que eu desejo vivamente ser.

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